Beatriz, 21 anos

A minha opinião sobre a abolição do sistema opressivo e violento da Prostituição nem sempre foi tão linear como o é hoje. Na verdade, durante muito tempo percepcionei o abolicionismo como uma realidade paralela à utopia, como é que algo tão intrínseco na sociedade, e com esta dimensão e organização, poderia algum dia deixar de ser tolerado pela consciência moral e jurídica da humanidade?

Desde novos celebramos como uma vitória social, em História, o abolicionismo da escravatura, que na verdade não deixa de ter uma componente crucial em comum com a prostituição – a redução da pessoa a uma mercadoria, explorando-a sem limites. Não obstante, analisando com precisão e sabendo de antemão que aproximadamente 98% das pessoas envolvidas neste sistema são Mulheres, é notável a existência de um evidente interesse em nada fazer para alterar esta realidade extremamente lucrativa para traficantes e proxenetas e que, de facto, continua a distorcer a verdadeira raíz do problema – As mulheres não terem opções seguras de sobrevivência numa sociedade construída sob uma base patriarcal.

Acredito que a verdadeira luta começa aqui, em apoiar a punição do proxenetismo, em abolir este sistema que se apoia nos seus séculos de História, e que todos conhecem como desumano, que impede a luta pela defesa e garantia dos Direitos das Mulheres como esta é idealizada, que promove a cultura da violação, que normaliza esta prática indesejada e repugnante. A regulamentação não chega para construir um caminho de oportunidade iguais e dignas para a mulher.

Deixe um comentário