À conversa com Lara C., 23 anos

O que pensas quando se fala em prostituição? Achas que seria melhor combater o sistema através de políticas abolicionistas ou regulamentar como uma atividade profissional?

Penso que continua a ser um problema pouco abordado e desvalorizado. O facto de não estar num lugar de destaque na agenda dos decisores políticos deve-se, no meu entender, à ideia preconcebida que esta é a mais antiga “profissão” do mundo e que, por isso, a sua abolição será quase impossível. Por outro lado, a ausência de um consenso em estratégias que procurem solucionar o problema, aumenta a tendência para que esta questão seja adiada, alimentando, uma vez mais, a premissa de que é um problema sem uma solução à vista. Relativamente ao desenho de um sistema de combate, considero que se deve caminhar no sentido de abolir esta prática. Por isso, e entendendo que a abolição de momento não é possível, considero que a melhor estratégia seria adotar um modelo que criminalizasse a procura e despenalizasse a oferta. 

Achas que estás a ser devidamente informad@ (por órgãos de comunicação ou instituições governamentais etc.) do debate sobre o abolicionismo e/ou sobre a regulamentação?

Não acho que o debate acerca da abolição/legalização da prostituição esteja a ser devidamente comunicado. Os debates públicos são pouco expressivos e a informação séria e factualmente honesta não chega à maioria das pessoas. Persistem ainda muitas ideias preconcebidas, alimentando ideias como “é uma escolha “. Este tipo de raciocínio para além de incoerente, é altamente enganador, não se pode considerar que a prostituição é uma escolha quando as restantes das opções se mantém inacessíveis. 

Sentes que o sistema da prostituição é perigoso? Porquê?

O sistema de prostituição é altamente nocivo. Para além de expor as mulheres a diversos tipos de violência, aumenta a escalabilidade de problemas como exploração sexual e tráfico. 

Porque é que achas que abolir o sistema da prostituição é fundamental?

Abolir a prostituição é fundamental para erradicar a objectificação da mulher e os diversos tipos de violência a que a mesma está exposta, bem como problemas adjacentes e consequentes, como o tráfico.

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